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Quando emitir CAT: prazos, procedimentos e erros que podem expor a empresa

Entenda os momentos exatos para emitir a CAT, o prazo de 24 horas, o passo a passo de preenchimento e os erros mais comuns que podem gerar multas e processos trabalhistas.

A CAT deve ser emitida sempre que houver lesão, doença ocupacional ou morte relacionada ao trabalho, e o prazo legal é de até 24 horas após o acontecimento; o preenchimento correto evita multas, processos e danos à reputação da empresa.

Introdução

A Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) é o documento oficial que formaliza a ocorrência de um evento lesivo no ambiente laboral. Embora pareça simples, sua emissão envolve prazos rígidos, informações técnicas precisas e a responsabilidade de evitar falhas que podem gerar autuações do Ministério do Trabalho e Seguridade (MTE) ou do INSS. Este artigo traz um panorama prático, baseado em rotinas de campo, para que gestores e profissionais de segurança do trabalho emitam a CAT de forma correta e dentro do prazo estabelecido.

    Quando a CAT deve ser emitida

    A obrigatoriedade da CAT está prevista na Lei nº 8.213/91 e nas Normas Regulamentadoras (NRs) que tratam de saúde ocupacional. Em termos práticos, a CAT deve ser emitida nas seguintes situações:

    • Acidente com lesão que gere afastamento do trabalhador;
    • Acidente que não gere afastamento, mas que tenha potencial de agravo;
    • Doença ocupacional diagnosticada pelo médico do trabalho;
    • Morte do trabalhador em decorrência de acidente ou doença relacionada ao trabalho;
    • Acidente de trajeto (caminho casa‑trabalho ou trabalho‑casa) quando reconhecido como acidente de trabalho.
    Profissional preenchendo CAT em tablet no ambiente industrial
    Preenchimento eletrônico da CAT com apoio de tecnologia móvel

    Prazo legal para emissão

    O prazo máximo para a emissão da CAT é de 24 horas contadas a partir do momento em que o acidente ocorre ou a doença é diagnosticada. Esse limite inclui o tempo de comunicação ao empregador, ao responsável técnico e ao setor de recursos humanos. Caso o acidente ocorra em horário noturno ou em fins de semana, o relógio continua correndo; portanto, a empresa deve ter procedimentos de plantão ou contato de emergência para garantir o cumprimento do prazo. O não cumprimento pode acarretar multa de até R$ 5.000,00 por ocorrência, além de possíveis sanções administrativas.

    Passo a passo para emitir a CAT corretamente

    Seguir um fluxo estruturado reduz a chance de erros e garante que todas as informações exigidas estejam presentes. O procedimento recomendado pode ser dividido em cinco etapas claras:

    • 1. Acionamento imediato: o trabalhador ou a testemunha informa o acidente ao responsável direto;
    • 2. Registro de informações preliminares: data, hora, local exato, descrição sucinta do evento e identificação dos envolvidos;
    • 3. Avaliação médica: o médico do trabalho ou o serviço de saúde ocupacional realiza exame e classifica a lesão ou doença;
    • 4. Preenchimento da CAT no sistema eSocial ou no aplicativo da Previdência Social, observando campos obrigatórios como código da lesão (CBO), natureza da lesão (CID) e vínculo empregatício;
    • 5. Envio e arquivamento: a CAT é transmitida eletronicamente, e uma cópia impressa é arquivada no prontuário do trabalhador e no registro da empresa por, no mínimo, 20 anos.
    Quadro de avisos lembrando prazo de 24 horas para CAT
    Lembrete visual do prazo legal para emissão da CAT

    Critérios técnicos para preenchimento

    O preenchimento da CAT exige atenção a detalhes que vão além da simples transcrição de dados. Cada campo tem implicações legais e pode influenciar a concessão de benefícios ao trabalhador. Os principais critérios são:

    • Identificação completa do trabalhador (nome, CPF, PIS, cargo e CBO);
    • Descrição objetiva do acidente, indicando a atividade exercida no momento e o agente causador;
    • Classificação da lesão ou doença usando a CID‑10 correta;
    • Indicação do grau de incapacidade temporária ou permanente, quando já conhecida;
    • Código da empresa (CNPJ) e número da inscrição no eSocial;
    • Assinatura eletrônica do responsável técnico ou do empregador, conforme exigência do sistema.

    Erros frequentes que expõem a empresa

    Mesmo com procedimentos bem definidos, alguns deslizes são recorrentes e podem gerar consequências graves. Entre os erros mais citados pelos auditores de segurança do trabalho, destacam‑se:

    • Preencher a CAT após o prazo de 24 horas, seja por esquecimento ou falta de plantão;
    • Omitir ou preencher incorretamente o código CID, levando a indevida classificação da doença;
    • Não registrar o trajeto como acidente de trabalho quando o trabalhador está a caminho do serviço;
    • Utilizar informações genéricas ou incompletas na descrição do acidente, dificultando a análise posterior;
    • Não arquivar a cópia física da CAT, impedindo a comprovação documental em eventuais fiscalizações.

    Decisões de campo que influenciam a CAT

    A prática no local de trabalho determina a qualidade da informação que chega ao formulário. Algumas decisões de campo que impactam diretamente a CAT incluem:

    • Escolher o profissional de saúde adequado para a avaliação inicial – médico do trabalho ou enfermeiro de segurança – garantindo a classificação correta da lesão;
    • Registrar imediatamente a localização exata (setor, máquina, ponto de risco) para facilitar a investigação posterior;
    • Coletar depoimentos de testemunhas ainda no local, evitando perda de detalhes;
    • Garantir que o trabalhador receba o primeiro socorro adequado antes de qualquer registro, pois a gravidade pode mudar a classificação da CAT;
    • Comunicar a CIPA ou o SESMT imediatamente, permitindo a adoção de medidas corretivas antes que o acidente se repita.

    Documentação complementar e integração ao eSocial

    A CAT não é um documento isolado; ela integra um conjunto de registros que compõem a gestão de acidentes. Entre os documentos complementares, estão:

    • Ficha de acidente (formulário interno de registro de ocorrências);
    • Laudos de perícia técnica, quando houver necessidade de análise de equipamento ou ambiente;
    • Relatórios de investigação de acidentes, que detalham causas raízes e medidas corretivas;
    • Comprovantes de treinamento de segurança e uso de EPIs, que podem atenuar a responsabilidade da empresa;
    • Histórico de inspeções de campo, que demonstra a diligência da organização na prevenção de riscos.

    Checklist rápido para auditoria interna

    Para garantir que a empresa esteja em conformidade, recomenda‑se a aplicação de um checklist simples antes de cada auditoria externa:

    • Verificar se todas as CATs dos últimos 12 meses foram emitidas dentro do prazo de 24 horas;
    • Conferir a correção dos códigos CID e CBO em cada registro;
    • Confirmar a existência de cópias arquivadas (digital e física) de todas as CATs;
    • Validar se as investigações de acidente foram concluídas e se as medidas corretivas foram implementadas;
    • Checar se o treinamento de primeiros socorros e uso de EPIs está atualizado e registrado.

    Conclusão

    Emitir a CAT no momento certo, com informações precisas e dentro do prazo legal, é mais que uma exigência burocrática; é um elemento central da cultura de segurança e da responsabilidade empresarial. Ao adotar processos claros, envolver a equipe de campo e evitar os erros mais comuns, a empresa protege seus trabalhadores, reduz custos com litígios e demonstra comprometimento com a saúde ocupacional. A prática consistente da emissão da CAT fortalece a gestão de acidentes e contribui para ambientes de trabalho mais seguros e sustentáveis.

    Perguntas frequentes

    Qual o prazo máximo para emitir a CAT após um acidente?

    A CAT deve ser emitida em até 24 horas contadas a partir do momento em que o acidente ocorre ou a doença ocupacional é diagnosticada.

    Quais situações obrigam a emissão da CAT?

    Acidente com lesão que gere afastamento, acidente sem afastamento com risco de agravo, doença ocupacional, morte do trabalhador e acidente de trajeto reconhecido como acidente de trabalho.

    Quais são os erros mais comuns que podem gerar multas?

    Emitir a CAT fora do prazo, preencher código CID incorreto, omitir acidente de trajeto, usar descrições genéricas e não arquivar a cópia física são os principais erros que podem gerar autuações.

    Como garantir que a CAT esteja correta antes de enviá‑la?

    Seguir o passo a passo de registro, validar as informações com o médico do trabalho, revisar códigos CBO e CID, e confirmar assinatura eletrônica do responsável técnico são boas práticas para evitar retrabalho.

    A CAT deve ser arquivada por quanto tempo?

    A empresa deve manter a cópia da CAT arquivada por, no mínimo, 20 anos, conforme a legislação vigente, para fins de auditoria e comprovação documental.

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